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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Segundo e Terceiro Capítulos - Tabuleiro de Ouija (por Katerine Grinaldi)



Segundo Capítulo



“Peregrinação”


Fiz uma verdadeira peregrinação pelo bairro de Cabrian, no estado de Conso, à procura de tudo que pudesse deixar uma festa de Halloween perfeita. Levando em consideração que teria apenas cinco dias para isso decidi separar a minha missão em etapas: procurar as decorações necessárias, escolher o melhor jeito de arrumá-las no salão, criar entretenimentos e escolher minha fantasia. Ah, claro! E acrescentado toques culturais e educativos a tudo isso. Nenhuma escola dá festas simplesmente por dar.

Por isso, tinha passado a tarde inteira e o início da noite percorrendo várias ruas do bairro e gastando a verba da escola para isso. Que bom que não tinha gastar nada e que bom que eu tinha um carro porque seria muito pior fazer tudo isso de qualquer outra maneira.

E foi quase chegando ao prédio em que morava, um apartamento escondidinho atrás do grande prédio da biblioteca e próximo de um supermercado, que me lembrei daquela loja. Na realidade, eu não lembrei, eu avistei a loja cheia de fantasias na vitrine e decidi que aproveitaria o dia cansativo para gastar o pouco de energia que me restava na “Festas e Algo Mais”.

Terceiro Capítulo



“Festas e Algo Mais”


Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, hum... pareciam interessantes levando em consideração meus cabelos bem pretos em contraste com todo aquele vermelho. Mas ia olhar mais um pouquinho. Princesa, anjo, hum... não sou tão legal assim. Pirata, vampiro e um rapaz olhando para mim. Voltando às fantasias. Rainha de copas e, ele continua olhando para mim?! Será que acha que vou roubar alguma fantasia?

Que tipo de fantasia é essa?! Puxei um longo vestido rendado e branco de mangas compridas que deduzi ser da noiva cadáver.

— Quer alguma ajuda? – o rapaz que me olhava pronunciou-se.

— Que fantasia é essa? – tirei-a do cabide e estendi sobre o balcão.

— Fantasma. – Jake, eu pude ver na pequena placa de identificação, me respondeu. — Vai alugar? – acho que ele queria se livrar de mim e olhei para o relógio esperando não estar prendendo o rapaz além do seu horário.

— Aqui o dinheiro.

Oito horas e vinte minutos (20:20). Ainda faltava quase uma hora para que a loja fosse fechada e, deduzi que Jake devia ser assim mesmo no seu dia-a-dia: um rapaz apressado e prático. Esqueça as técnicas deslumbrantes de vendas!

— Temos uma visitante. – uma voz rouca e alta surgiu no interior da “Festas e Algo Mais” e quase estremeci com o susto. — Amadora ou profissional?

Oi? O que aquele homem de cabelos compridos e parcialmente grisalhos queria dizer com aquela pergunta? Pensei em ignorar, mas fiquei curiosa e enquanto o Jake contava meu troco, decidi dar apreço àquela conversa.

— Como assim? – perguntei e fui respondida prontamente.

— Gosta do Halloween ou trabalha com ele? – o homem agachou atrás do balcão e em instantes surgiu com uma grande caixa de madeira.

— Digamos que um pouco dos dois. – aproximei-me lentamente. — Estou organizando uma festa para o colégio. – como sou muito atenta percebi que o homem não tinha placa de identificação e me perguntei se ele seria o dono.

— Então tenho certeza de que isso lhe interessará. – ele abriu a caixa e dentro dela havia uma superfície retangular com todas as letras do alfabeto, todos os números, “Sim” e “Não” e alguns símbolos que desconhecia. — Chama-se tabuleiro de Ouija e é muito usado em festas de Halloween porque é utilizado para a comunicação com os mortos.

Interessante! Tinha comprado abóboras decorativas para contar a história de Jack-o’- lantern, vassouras para representar as bruxas e os doces, mas nunca tinha ouvido falar sobre esse tabuleiro. E imaginei que os alunos também não.

— Quanto custa o aluguel? – peguei a carteira novamente.

— Não é aluguel. Esse item está à venda. A senhora teria interesse em possuir esse tabuleiro? É o único na loja. – o homem parecia entender das técnicas deslumbrantes de venda e eu sempre fui a compradora perfeita que cai nas técnicas.  

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