Ele
pegou os cabelos ruivos da garota e lhe tocou o queixo, estava preparando-se
para matá-la, mas ficou um momento parado, pensativo. Hesitou. Largou-a.
-
Prefere ser estuprada ao morrer? - perguntou, a voz pesada e assustadora.
Lindsay
nem conseguiu abrir a boca para responder. Seus olhos estavam fechados,
lacrimejando e ela fez que sim com a cabeça, trêmula.
Ela
não sabia como aquilo aconteceu, estava tonta, mas de repente ela estava
deitada no sofá de sua sala, ou da sala de Dylan, com as pernas abertas e ele
sobre ela. Levantou-lhe o vestido e rasgou-lhe a calcinha. Ele já estava sem as
calças e ela ficou olhando sua própria bota apontada para cima, tentando
imaginar e lembrar do dia que a comprou ao invés de prestar atenção em Dylan
penetrá-la. Mas não foi possível. Ele era irresistível. Apesar de quase tê-la
matado quebrando-lhe o pescoço, ela não conseguia evitar o raio eletrizante que
lhe atravessava o corpo enquanto ele se movimentava por sobre ela. Ela não
aguentou segurar os gemidos de prazer e empurrou-o, assentando-se em cima dele.
Deleitava-se com aquele homem que mal conhecia e acabara de tentar matá-la por
causa de um apartamento. Beijou-lhe a boca com total tesão e terminou de rasgar
a blusa cortada dele e viu perfeitos gomos de músculos como os do pôster do Led
Zeppelin. Ele havia... Curado?
Por
um momento de distração, ele pegou-a por cima e jogou-a no chão. Sussurrou com
a voz rouca em seu ouvido:
-
Madalena...
Enquanto
ele continuava a movimentar-se ela disse:
- Eu
não sou Madalena.
-
Estou te estuprando, supostamente não era para você estar gostando - disse,
enquanto não parava de se movimentar sobre ela. - Eu te chamo do jeito que eu
quiser...
-
Não conheço bem as cláusulas do estupro, mas este é o melhor da minha vida!
Dylan!
-
Madalena!
-
Dylan!
Ela
sentiu então a pior dor da vida dela, bem no pescoço. Havia sido mordida. Depois
do susto, sentiu-o dar um chupão em seu pescoço e aquela sensação era a melhor
do mundo. Viu estrelas no teto da sala mal iluminada.
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Lindsay
estava de pernas cruzadas assentada no sofá com um cigarro aceso entre os dedos
enquanto Dylan, ainda, com a camisa rasgada e suja de sangue, estava jogado no
outro canto do mesmo sofá. Ele estava exausto, fazia anos que não fazia um sexo
tão intenso com um humano.
-
Então quer dizer que você é mesmo um vampiro - ela disse, sentindo com as
pontas dos dedos os buracos no pescoço, cicatrizando um pouco mais rápido do
que normalmente cicatrizariam. - Pelo menos agora posso falar que estou
fantasiada para o dia das bruxas de amanhã.
-
Amanhã já terá sumido, eu lambi os orifícios.
- Ui
- disse, arrepiando-se.
- Amanhã
você não lembrará de nada.
-
Duvido.
-
Não duvide. Eu me certificarei disso. Você não está com medo do que eu sou?
-
Claro que não. Eu fiquei com medo quando você tentou me matar, especialmente
quando pegou meu cabelo e ia torcer meu pescoço. Vi minha vida inteira passar
na minha frente. Realmente é o que dizem que acontece quando você morre... E
também meio tonta quando você me levou muito rápido ao sofá...
Houve
silêncio no recinto, exceto pela trilha sonora que ela havia colocado no
aparelho de DVD. Ela deu mais uma tragada em seu cigarro. Soltou a fumaça que
viajou para o alto em formatos aleatórios. Ficou pensando que aquela casa logo
iria feder muito de cigarro, que não havia janelas.
- Quanto
você está pagando de aluguel? - perguntou o vampiro.
-
Cem mangos - disse. - Ganho quatrocentos por mês. Foi a única coisa que arrumei
depois que meus pais morreram semana passada em um acidente de avião e fui
despejada. Este aqui estava barato pela falta de janelas, e eu estava
desesperada, então aceitei rapidamente o aluguel.
-
Você não brincou quando disse que era pobre.
-
Não. Toda essa mobília era dos meus pais.
-
Retrô. Eu gostei.
-
Obrigada.
-
Sinto muito pela sua perda.
-
Tudo bem... Eu vou ficar bem... - ela apertou os lábios, segurando o choro.
Mais
silêncio. O olhar esverdeado apontado para ela era enigmático.
-
Quem é Madalena?
-
Madalena é minha senhora.
-
Meu Deus! Você é casado!? - assustou-se Lindsay, agora ficando preocupada por
ser uma amante de um vampiro. Tecnicamente era um estupro, então talvez ela
estaria no céu.
-
Pelos céus e pelos infernos, não! - disse, enojado. - Ela quem me transformou
em vampiro. Eu a perdi há duas semanas, por isso resolvi voltar para cá, onde
tudo começou.
-
Então todas aquelas coisas que estão nos quartos são suas?
-
Ele colocou minhas coisas todas nos quartos? Espero que não tenha destruído meu
piano. Foi Madalena quem me deu.
-
Ah, eu vi o piano. Um belo piano de armário. Por sinal, está inteiro, não se
preocupe.
O
vampiro se levantou e foi até a porta do quarto, que era vinho. Abrindo a
porta, viu toda a sua mobília coberta por tecidos brancos. Era como se nada
estivesse ali, apesar de que ele sabia que todos seus móveis estavam por
debaixo dos panos.
Com
seu vestido negro, Lindsay caminhou até Dylan e tocou-lhe o ombro.
- Eu
sinto muito Lindsay, mas eu não poderei deixá-la morar aqui.
-
Quanto você supostamente paga de aluguel?
-
Quatrocentos - respondeu o vampiro. - E não é supostamente, eu nunca deixei de
pagar nesses vinte anos.
- És
vampiro há tanto tempo assim? - ela sorriu. - É quase minha idade. Tenho vinte
e cinco anos.
-
Supostamente não se deve perguntar a idade de uma mulher.
-
Mas eu não tenho o que esconder.
- Eu
vejo isso em você. Era como Madalena. De belo esplendor, os cabelos vermelhos
como o fogo que a consumiu. Exceto por seu olhar, você se parece muito com
ela...
-
Agora entendo porque apiedou-se de mim. Não tem nada a ver comigo.
-
Não, não tem. Agora vou fazer com que você esqueça tudo o que aconteceu, amanhã
não lembrará de nada, não se preocupe, e eu irei encontrar outro refúgio.
Ela vai mesmo esquecer?
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