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sábado, 2 de agosto de 2014

Quarto Capítulo - Tabuleiro de Ouija (por Katerine Grinaldi)



Quarto Capítulo

“O Conselho”


Joguei as compras no banco do carona e estava fechando a porta do carro quando escutei alguém me chamar. “Ei! Acho que esqueceu algo.” Imaginei que fosse comigo porque escutei o barulho da porta da “Festas e Algo Mais” e, virei para encontrar Jake se aproximando, esbaforido. Eu não tinha esquecido nada e ele também sabia disso porque não havia nada em sua mão. Fiquei parada esperando que se pronunciasse a respeito daquela atitude esquisita.

— Não podia falar isso lá dentro. – ele se aproximou mais um pouco. — Você não deveria ficar com esse tabuleiro.

Oi?! Sério que ele tinha saído da loja para dizer algo desse tipo?! Isso não seria suficiente para me fazer devolver aquele objeto e, aposto que Jake o queria... Claro! Era por isso que estava me dizendo isso. Aquele objeto devia ter algum valor e, nem o próprio dono da loja sabia disso. E nem o fato de ser um rapaz bastante apresentável, com seus ombros largos, cabelos castanhos escuros e olhos verdes bem claros me fariam mudar de ideia.

— Ei! Você me escutou? – ele passou a mão na frente do meu rosto querendo me tirar daquele momento avoado.

— Escutei, mas não vou devolvê-lo. Por que deveria? – o encarei esperando uma boa resposta.

— Você acha que eu sairia da loja por qualquer motivo?! – Jake cruzou seus braços fortes sobre o peito. — Anda logo. – e simplesmente o ignorei... Dei-lhe as costas, mas antes que pudesse prosseguir na minha tática silenciosa, o rapaz agarrou meu braço e me puxou de encontro a ele. — Qual seu nome?

Não gostei muito da minha atitude, mas ele estava tão cheio de si que a única coisa que consegui fazer foi dizer meu nome.

— Candy. – Jake ainda me segurava em seus braços. Há quanto tempo um homem não me segurava daquela maneira? Não quero responder isso porque serei obrigada a me lembrar daquele ex-idiota que me trocou por aquela garota mais idiota ainda. — Sua mãe nunca lhe mandou não brincar com os mortos?! – e foi nessa frase que percebi, pela primeira vez, seu sotaque espanhol. — Se ela não fez, eu faço. Não brinque com os mortos e deixe esse tabuleiro na loja. – ele foi muito veemente, mas não queria me entregar.

Será que podia pedir algo em troca se deixasse o tabuleiro?! Bem... e se levasse-o para casa teria mais um motivo para voltar na “Festa e Algo Mais” e encontrar o Jake. Ai! Estou tão carente.

— Não recebo ordens, Jake. – puxei meu corpo para trás e voltei a caminhar para o carro.

— Não era uma ordem. Era só um conselho. - Jake me deu as costas e entrou na loja. 

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