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domingo, 3 de agosto de 2014

Quinto e Sexto Capítulos - Tabuleiro de Ouija (por Katerine Grinaldi)



Quinto Capítulo



“Girando sem parar”


Tive certa dificuldade para sair do meu carro depois do acontecido do lado de fora da “Festas e Algo Mais”. Sei que nem tinha dado bola para o Jake enquanto ele se mantivera comportado atrás do balcão, mas era difícil não pensar em suas mãos segurando meus braços tão determinadamente. Sempre gostei de mandar em meus relacionamentos e não aceito ordens, mas aquele cara não teve a mínima dificuldade em me fazer dizer meu nome. E eu gostei disso.

Meu Deus! Ele é apenas um trabalhador e nunca mais o verei novamente, ou pelo menos não o verei até a próxima festa, então, deveria esquecê-lo naquele momento. E foi isso que fiz.

Peguei minhas compras e subi para meu apartamento conjugado (quarto, sala e cozinha em um mesmo aposento). Deixei o tabuleiro sobre a mesa e fui tomar banho, mas não esperava ficar com parte do corpo ensaboado.

— Por que sempre falta luz nas horas mais inconvenientes?!

Enrolei-me na toalha e segui para a cozinha determinada a encher um balde de água quente para retirar o sabonete restante e, agradeci por morar bem ao lado de um poste de iluminação pública. Minha janela ficava bem em frente... Hã?!

Quer dizer que não está faltando luz na rua? Será que é apenas no meu prédio? Aproximei-me da janela e olhei para o andar de baixo. Com luz. Poxa, eu paguei a conta de luz. Tenho certeza disso! Não iria adiantar nada reclamar àquela hora da noite e, então, segui para a cozinha.

Enquanto fervia a água escutei um barulho estranho vindo dali de perto mesmo, mais precisamente daquilo que chamo de sala. Olhei ao redor tentando descobrir do que se tratava e percebi que o ponteiro de madeira do tabuleiro estava girando sem parar. Não estava sentindo nada, mas quem sabe estivesse ventando o suficiente para movimentar aquele treco?! Fechei a janela e enquanto retornava para o fogão toquei o ponteiro para fazê-lo parar.



Sexto Capítulo



“Simples Coincidência”


Acendi umas velas, não muitas porque minha casa era pequena, e sentei à mesa para preparar a aula do dia seguinte e tentar começar um trabalho a ser entregue na próxima semana. Ainda bem que tinha carregado meu computador portátil ou do contrário não conseguiria fazer nada disso.

Tick-tock. Tick-tock.

Água pingando. Só podia ser no banheiro porque a cozinha estava disponível aos meus olhos e eu saberia. A questão é que não ia me levantar para acabar com o barulho mesmo que estivesse ao alcance das minhas mãos. Se me levantasse dali seria direto para a minha cama...

Meus pensamentos foram completamente interrompidos pelo barulho de água caindo em grande quantidade. Parecia que tinha estourado algum cano e não parava de jorrar água por ele. Infelizmente, parecia que eu não estava no controle dos meus próprios planos.

Caminhei até o banheiro e descobri que (sorte minha!) não tinha sido nenhum cano, entretanto, inexplicavelmente a torneira do chuveiro estava completamente aberta. Que doideira! Lembro-me de tê-la fechado perfeitamente assim que a água se transformou num gélido oceano.

Puxei a cortina de plástico e retornei para a sala carregando minha lanterna. Na realidade, eu fiquei parada entre a porta do banheiro e o piso da sala porque todas as velas tinham se apagado. Como? Eu fechei a janela!

Comecei a achar que aquilo tudo não era simples obra da natureza ou uma simples coincidência. Falta de luz, chuveiro ligando sozinho e velas se apagando sem nenhum vento? O que poderia estar acontecendo? Será que alguém tinha entrado no meu apartamento antes que eu chegasse? Será que era alguma brincadeira pela proximidade com o Halloween? Doces ou travessuras?

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