- O
quê? Você vai apagar minha memória!? Não mesmo!
-
Como assim?
-
Não! Esse foi o melhor sexo que eu tive durante toda a minha vida!
- Se
preferir eu posso apagar só algumas partes.
-
Não é disso que estou falando - disse Lindsay, se aproximando devagar do
vampiro. - Eu quero mais...
Instantaneamente
ele a agarrou e estavam de volta no sofá. Desta vez a coisa foi mais intensa.
Mordidas por todo o corpo de Lindsay, velocidade extrema nos movimentos de
Dylan, os gemidos tornaram-se gritos e Madalena e, algumas vezes, Madelaine eram
as únicas coisas que saíam da boca de Dylan, exceto, é claro, suas presas.
Completamente
satisfeita, Lindsay se espalhou pelo colchão no chão da sala e sorriu
descaradamente, acendendo outro cigarro.
-
Isso não é de Deus!
-
Sim, somos seres infernais.
-
Não é disso que estou falando. Quer dizer, acho que já saí com todos os caras
dessa cidade, ou pelo menos a maior parte que presta, ou que eu acho que
presta, ou que achava que prestava, e nunca ninguém me completou como você,
nunca me satisfiz desse jeito...
-
Você fala igual Madalena.
-
Ela estava certa. Aliás, eu acho que você poderia passar uns dias aqui até
achar outro apartamento.
-
Não mesmo.
-
Porque não!? Você poderia dividir o aluguel comigo e parar de pagar
quatrocentos mangos pro senhorio. Acho que nem vamos precisar de dois quartos
se a coisa continuar assim...
-
Pare com isso. Eu sou uma criatura imunda.
- Eu
também. Afinal, o que é a humanidade senão um grupo de criaturas imundas?
Houve
uma pausa longa enquanto Lindsay olhava para o teto cheio de teias de aranha e
o silêncio foi angustiante. Então, o alarme de Lindsay tocou. Já era seis da
manhã e ela precisava trabalhar.
Arrumou-se
rapidamente tirando roupas da mala e, quando olhou para trás, o vampiro estava
deitado com os braços cruzados e os pés juntos, como se estivesse em um maldito
caixão.
-
Dylan? - perguntou Lindsay, preocupada. Ele parecia morto e não respondeu.
Estava completamente imóvel e ela não ousou cutucá-lo. Deixou um bilhete
dizendo que ia trabalhar e saiu.
----------
-
Hey, você! Que rosto é esse de quem fez um bagulho de sexo a madrugada inteira
hein? - perguntou Celine, com tom de piada.
-
Ah, mas foi excelente - disse Lindsay.
-
Qual é o nome do bofe?
- Dylan.
- Dylan... Como Bob Dylan?
-
Não, como um transa dealer.
-
Você se prostituiu amiga? Esse era o último bagulho que eu esperava de você -
Celine riu.
-
Não. Negociei com ele, ele queria me matar e ofereci um estupro em troca.
-
Amiga! Este homem é perigoso! - de repente a feliz Celine ficou com um rosto
preocupadíssimo.
-
Não se preocupe, viramos amigos e transamos a noite toda... Aliás estou
cansada. Amei o DVD que comprei ontem, mas você sabe que eu sempre uso meu
direito de troca depois de assistir, né?
-
Porque ele queria te matar?
-
Ele era o antigo dono do apartamento.
-
Aluga outro canto. Vem morar comigo. Já disse que as meninas são um doce. Eu te
cobro só cem mangos. Vamos lá, deixa esse malandro pra lá - disse Celine,
pegando o formulário de troca de produto.
-
Não. Estou muito bem por lá. Não se preocupe amiga, eu sei o que estou fazendo
- disse Lindsay, escolhendo um DVD do Red Hot Chilli Peppers ao vivo para
troca.
-
Você que sabe... O convite está aberto. Prontinho, já fiz sua troca. Deixa eu só
passar o código de barras aqui...
Celine
foi fazendo os procedimentos enquanto analisou o pescoço da amiga.
-
Vejo que já está preparada para mais tarde... - disse, e depois foi vendo que
havia várias mordidas de vampiro no corpo da amiga.
-
Estou experimentando a maquiagem que usarei hoje.
- Se
eu não fosse ver filme com as meninas, eu ia para seu novo apartamento sem
janelas. Red Hot, esse bagulho é muito bom. Aliás porque temos que trabalhar
nesse bagulho de feriado?
-
Pelo menos sairemos mais cedo do trabalho. Eu já saio mais cedo mesmo, porque
trabalho só quatro horas.
-
VOCÊ GANHA CEM MANGOS POR HORA NAQUELE ESCRITÓRIO!?
-
Acredite, você não iria querer trabalhar no meu lugar. Estou morrendo de sono,
vou para casa. Tchau, Line.
-
O.K. Vai lá - disse a amiga, sorrindo. - Feliz dia das bruxas!
-
Pra você também, Wicca! - Lindsay sorriu, sabendo o quanto significava aquela
data para sua amiga Celine.
Chegando
em casa...
Lindsay
se assustou, pois nenhum fio de cabelo de Dylan estava fora do lugar. Ela começou
a ficar desesperada. Ele estava frio como o gelo e, mesmo guarnecido de
cobertas, ainda ficava gelado. Ela ficou ao lado dele, ajoelhada sobre o
colchão no chão por várias horas e caiu no sono, até que o sol se pôs e ele
abriu os olhos. Viu-a dormindo, vestida com uma roupa formal que lhe caía muito
bem e disse:
-
Lindsay...
-
Oh, Dylan... - ela acordou e o abraçou, quase chorando. - Achei que você tinha
morrido!
-
Tecnicamente eu já estou morto - ele não retribuiu o abraço, ficou apenas com
as mãos erguidas no ar, envolvendo-a. - Durante o dia eu entro em torpor, uma
situação que nada no mundo pode me acordar. É quando um vampiro se encontra
mais vulnerável. Enfim, agora que a satisfiz, posso ir embora. Farei com que
você esqueça tudo o que aconteceu entre nós e...
- Eu
não quero esquecer.
-
Mas você precisa. Como acha que nós vampiros sobrevivemos até hoje?
-
Vocês então se alimentam e fazem as vítimas se esquecerem de vocês?
Simplesmente isso?
-
Sim.
-
Mas... Você poderia me poupar. Prometo que guardarei seu segredo.
- Um
segredo guardado entre dois, já não é mais segredo - "proverbiou" o
vampiro.
Um
tufão de emoções girou por dentro de Lindsay. Ela estava apavorada. Não queria
perder aquele homem que conhecia há praticamente 24 horas. Paixão é algo inexplicável
e, quando misturado com sexo, simplesmente não existem palavras ou sequer
pensamentos capazes de traduzir o que ela sentia.
-
Não! Por favor!
- Eu
não posso, senão serei punido, minha beldade...
Ele
passou a mão gélida no rosto de sua "Madalena".
-
Então, vamos fazer um acordo.
- Um
acordo?
-
Hoje é dia das bruxas.
- E
daí? - disse ele, dando de ombros.
-
Você pode sair comigo na rua pedindo doces, fantasiado de vampiro.
-
Você está falando sério? Acho que está com febre.
Lindsay
levantou irritada e foi até a cozinha. Algum tempo se passou, não se sabe ao
certo se horas ou minutos, mas quando Dylan finalmente resolveu se levantar,
ele foi até a cozinha e viu Lindsay chorando, cortando uma abóbora para fazer
uma lanterna temática.
- Eu
gosto de colocar uma dessas na porta - ela disse, chorando. - As crianças pegam
as balas e eu não preciso olhar pra fuça delas...
-
Você está muito irritada - ele observou.
Lindsay
enfiou a faca por cima da abóbora, morta de raiva.
- Eu
quero mais uma noite com você! Você é fascinante!
-
Então podemos fazer um acordo...
-
Tudo o que você sabe fazer são acordos?
- Na
verdade... Sim. E foi um acordo que acabou lhe poupando sua vida.
- E
acabou me fazendo um boneco de sangue. Você vem aqui e suga meu sangue transa
comigo como ninguém e depois quer que eu simplesmente esqueça disso!? - disse,
já em prantos. - Eu sou uma pessoa! Eu tenho sentimentos!! Eu nunca serei
completa sem isso! Sem... Sem você!!!
-
Mas vai precisar escutar meu acordo ou vai esquecer tudo agora neste instante e
continuar cortando essa abóbora até o final da noite, colocará doces para as
crianças e ficará sozinha vendo um DVD do Red Hot.
- O
que seria mais quente que isso, sem você? - se referiu ao nome da banda. - Eu
estou apaixonada!
-
Não, não está.
-
Quem é você pra dizer isso! - ela arrancou a faca da abóbora e enfiou bem no
meio do peito dele.
- Na
verdade você tem que me acertar no coração com uma estaca de madeira pra me
matar.
Lindsay
jogou a faca no chão, deu um grito de raiva e colocou as mãos nas orelhas,
pensando que aquilo era um sonho e que logo acordaria.
- Eu
aceito sair como uma fantasia de vampiro, desde que você aceite que eu apague
sua memória. E se você não aceitar, apagarei sua memória agora mesmo. É uma
regra que não posso quebrar. Nunca.
Lindsay
ergueu o olhar para o vampiro e os olhos vermelhos de choro mostravam a
tragédia que ela sentia. Parecia tudo uma encenação, porém os sentimentos eram
verdadeiros. Estavam pulsando junto com o coração dela e nem que se fosse por
uma noite de diversão onde todos podem se fantasiar do que quiserem e pregar
peças uns nos outros, ela queria passar mais uma noite com Dylan.
-
Certo... Eu aceito o acordo - disse, secando as lágrimas com as costas das
mãos.
Dylan
pegou a faca e assentou em frente à abóbora:
-
Vamos consertar isso - e sorriu. As presas à mostra. Ele era simplesmente
perfeito. Não era bonito, mas era mais ou menos como o anjo do pôster.
-
Vamos...